As autoridades mexicanas divulgaram neste sábado as identidades dos dois brasileiros que estão entre as 72 vítimas de narcotraficantes cujos corpos foram descobertos no sítio da cidade mexicana de San Fernando, no último dia 22. Eles são Juliard Aires Fernandes, 20, e Hermínio Cardoso dos Santos, 24, ambos naturais de Minas Gerais. O Itamaraty (o Ministério brasileiro das Relações Exteriores) já fez contato com as famílias dos dois jovens.
Mais cedo, o consulado brasileiro já havia informado à Folha que os documentos de dois brasileiros de MG haviam sido descobertos no local, sem fornecer maiores detalhes. Por enquanto, somente o corpo de Juliard Fernandes foi identificado. As autoridades mexicanas afirmaram que, devido ao adiantado estado de decomposição, é possível que nem todos os 72 corpos sejam identificados pelos legistas.
Segundo a Procuradoria do Estado de Tamaulipas, até a noite de ontem, tinham sido identificadas 41 das vítimas, que seriam levadas para o necrotério da cidade de Reynosa.
O México informou inicialmente que havia ao menos quatro brasileiros entre as vítimas. O procurador de Tamaulipas, Jaime Rodríguez, havia indicado anteontem que entre os corpos identificados estava um brasileiro, mas o cônsul brasileiro havia posto em dúvida a informação.
MASSACRE
A Marinha mexicana encontrou os 72 corpos nesta terça-feira (24), em uma fazenda perto da cidade de San Fernando, no Estado de Tamaulipas, norte do México e perto da fronteira com os Estados Unidos.
Um jovem equatoriano identificado como Freddy Lala Pomavilla teria sobrevivido ao massacre fingindo-se de morto. Ferido com um tiro na garganta, ele chegou a um posto da Marinha mexicana e contou às autoridades sobre o massacre de imigrantes brasileiros e equatorianos.
Freddy relatou que os estrangeiros foram sequestrados por um grupo criminoso, quando tentavam chegar à fronteira com os EUA. Os homens disseram pertencer ao grupo Los Zetas, e ofereceram trabalho como matadores de aluguel por US$ 1.000 quinzenais. Quando os imigrantes recusaram a oferta, os criminosos atiraram.
A Marinha foi até o local e entrou em confronto com o grupo. Pouco depois, encontrou os corpos no rancho. Segundo a polícia, as vítimas, que se acredita sejam migrantes da América Central e da América do Sul --incluindo quatro brasileiros-, parecem ter sido amarradas com os olhos vendados antes de serem enfileiradas em uma parede e mortas a tiros.