O atual dono do restaurante Rei do Bacalhau na Ilha do Governador, no Rio, Antônio Fernando da Silva, que está preso na 16ª DP (Barra da Tijuca) por suspeita de ser o mandante do homicídio do próprio pai e de mais seis pessoas, afirmou à polícia que só irá prestar depoimento em juízo. O advogado dele, Saulo Ramos, contou que Antônio afirma ser inocente.
"Ele diz que é inocente, eu vou ter que aguardar. Só vou me manifestar, e ele também, após tomar conhecimento de todo o conteúdo das provas", disse o advogado, que quer ter acesso às escutas telefônicas feitas pela polícia.
De acordo com o delegado titular da 16ª DP, Rafael Willis, Antônio e seu suposto cúmplice, que confessou ter matado o gerente financeiro do restaurante, serão transferidos para a Polinter ainda nesta quinta-feira (22).
O advogado de Antônio alegou que os dois não se conhecem. "Eu vou reverter essa prisão", afirmou Ramos. Ele esteve na delegacia nesta tarde e chamou a prisão de absurda.
“Essa prisão temporária é um absurdo e injustificável. Prisão temporária é o mesmo que ‘eu não tenho prova de nada e prendi para apurar’”, contestou o advogado de Antônio, que chegou à delegacia com uma quentinha de comida para seu cliente.
O delegado afirmou que a polícia só vai ceder as escutas telefônicas se houver um pedido do juiz. “O advogado orientou a ele (Antônio) somente falar em juízo ou quando tiver acesso à parte sigilosa desse inquérito, que seriam as escutas telefônicas”.
De acordo com o delegado, o cúmplice de Antônio prestou depoimento formalmente na quarta-feira (21). Apesar de ter confessado o assassinato, ele não forneceu informações sobre o mandante do crime.
Sete homicídios
Antônio Fernando da Silva foi preso no início da manhã de quarta-feira em sua casa, também na Ilha do Governador. Ele é suspeito de ter mandado matar o próprio pai adotivo, Plácido da Silva Nunes, o matador dele, o gerente financeiro do restaurante, um pai de santo, um advogado, um garçom e um policial.
Com relação a Antônio, Willis afirmou que, a todo momento, ele se mostra surpreso. “A morte do pai dele (Plácido Nunes, de 75 anos, então dono do restaurante) foi em 2007 e até o momento ele não tinha sido preso e se mostrava tranquilo quanto a isso, mas com esses novos fatos, ele se mostrou extremamente surpreso. Ele finge que não sabe”, disse o delegado.
A polícia, agora, quer ouvir novas testemunhas.
Gato de água
Além da acusação de ser o mandante de seis homicídios, o atual dono do Rei do Bacalhau também é acusado de realizar “gato de água” no estabelecimento e vai responder por mais esse crime. Segundo o delegado, a perícia feita no local constatou adulteração no hidômetro do restaurante.
Segundo Willis, também há indícios de que Antônio teria praticado crimes fiscais.
Investigação
O delegado Rafael Willis contou que estava investigando a morte do gerente financeiro do restaurante. Ele teria sido vítima de um assalto simulado, no início deste ano, na Barra da Tijuca.
"Começamos a investigar a suposta tentativa de assalto e chegamos ao autor de todos esses crimes", disse Willis.
Além de dar desfalques no caixa do restaurante, segundo Willis, o filho se favoreceu do seguro do pai, que lhe rendeu cerca de R$ 2 milhões.
"Logo depois, o matador contratado começou a extorqui-lo ameaçando revelar que ele tinha mandado matar o próprio pai. Para se livrar do primeiro matador, ele contratou outro matador. Não satisfeito, mandou matar em seguida o seu pai de santo, que também já sabia muito da história", disse Willis.
O delegado disse que a morte do gerente financeiro do restaurante foi encomendada no início deste ano. A vítima estaria desconfiada dos desfalques no restaurante e ameaçava denunciá-lo por sonegação fiscal.
"Ele simulou uma tentativa de assalto na Barra. Ele não contava que iríamos investigar o caso a fundo. Fomos checando as informações e chegamos a autoria dos crimes. Todos foram mortos por queima de arquivo", disse o delegado.