iParaiba
20 de junho de 2013

Luiz Carlos Amorim

09/07/2012, às 07h26

O surto de Gripe "A"

Volto a lembrar da novela "Que Rei Sou", em exibição novamente, mostrando um Brasil mais atual do que nunca, quando vejo notícias sobre a mobilização do Vale do Itajaí, aqui em Santa Catarina, frente a um surto de Gripe A.

Já são mais de três centenas de casos da doença em Santa Catarina, a maioria no Vale do Itajaí. Já morreram quase quarenta pessoas, todas ou quase todas com idade fora das faixas etárias determinadas pelo Ministério da Saúde para receber a vacina. Como já se configura um surto da doença, Blumenau, Itajaí e outras cidades do Vale solicitaram ao Ministério da Saúde que enviasse estoque para vacinar todos os habitantes da região, indistintamente.

Pois o Ministério da Saúde negou, com a desculpa de que “a vacinação contra a H1N1 é para prevenir, apenas, não para bloquear surto instalado”. Eles vão mandar medicamentos apenas para tratar a doença, não para evitar. Tudo bem, mandar o medicamento está correto, as pessoas que já estão infectadas precisam deles, mas quem não tem a doença está condenado a contraí-la, para então ter um tratamento? Isso se os medicamentos vierem em quantidade necessária.

Que Ministério da Saúde é esse, que condena os cidadãos que ainda não foram vítimas do surto a não se imunizarem, a ficarem sujeitos a contrair a doença? Pode até haver um período, depois de tomada a vacina, para que ela faça efeito, mas depois deste prazo, quem a tomou terá muito menos chance de ser vítima da gripe temerária. Por que, então, não tentar evitar que um número maior de pessoas caia vítima do mal que pode levar à morte, como está acontecendo?

Ao invés disso, o mesmso Ministério da Fazenda está "analisando" os casos de morte, pois está "desconfiado" de que as cerca de quarenta pessoas mortas no Estado não morreram de gripe A, mas sim de outra doença complicadora, pelo atraso na procura de ajuda médica. Não é degradante? A pessoa doente procura assistência, não consegue ser atendida e quando consegue é mandada embora com uma receita, sem maiores preocupações ou investigação do que ela tem. E depois, se morre, é por culpa do próprio doente.

Isso é bem típico de uma situação que ocorreria no Reino de Avilã, não é não? Os “conselheiros” da “Rainha” prefeririam negar a vacinação ao povo, para então, depois, vendê-la bem caro e assim terem lucros vultosos. Aqui, parece que estão economizando a vacina para não ter que produzir mais, para não "onerar" os cofres públicos, ou então para o povo ir às clínicas pagar bem caro para serem imunizados.

Tão zelosos, nossos “conselheiros”, com o suado dinheiro que é arrancado do povo na forma de impostos quase que mais caros do mundo: o brasileiro trabalha quase meio ano só para pagar impostos ao governo, mas não vê retorno. A saúde, a educação, a segurança, a justiça, tudo está indo à falência. E a corrupção, a impunidade, a banalização da violência, da falta de honestidade são lugares comuns.

E a situação promete se agravar, o surto pode aumentar, pois o frio está voltando, o veranico acabou e o inverno está chegando pra valor aqui no sul.

Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://luizcarlosamorim.blogspot.com




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