iParaiba
20 de maio de 2013

Thomas Bruno

06/01/2011, às 16h29

Notas urbanas de Campina Grande

Nos últimos meses, temos feito uma série de denúncias a respeito do triste fim do patrimônio histórico da “Rainha da Borborema”, símbolos da pujança de um passado que a consagrou como Rainha e como uma das cidades mais importantes do interior nordestino. A urbe anda em transformação onde o falecimento deste referencial patrimonial é evidente, no entanto, se faz necessário citar modificações outras que estão ocorrendo nas últimas semanas.

Outubro: Na região conhecida por Boninas, o seu canteiro central está sendo transformado em uma praça. O lugar é afeito de algumas histórias misteriosas, talvez por ter sido, por muitos anos, um cemitério. Isso nos anos de 1857 e em 1899 já se encontrara totalmente cheio, segundo Elpídio de Almeida “sem lugar para a abertura de uma cova”**, extinto em 1931, em ruínas. O lugar hoje está envolto por tapumes de madeirite e breve será uma praça;

Agosto/Outubro: O Pavilhão Epitácio (veja a foto antes da reforma), que foi construído provavelmente na década de 20 do século XX, por ordem da viúva do Cel. Alexandrino Cavalcanti, passou por uma reforma do pavimento superior do sobrado para adaptação de uma loja de confecções e foi pintado por completo, dando um melhor aspecto a este saudoso e imponente casarão;

Outubro: Uma residência em estilo eclético, no início da Rua Rui Barbosa, foi demolida e denunciada por nós no artigo “Centro Histórico de Campina Grande: a cartografia de uma destruição”***, pois bem, o lugar já está, infelizmente, funcionando como estacionamento para automóveis;

Setembro/Outubro: A antiga fábrica de óleos de Medeiros Cirne, na Av. Pres. Getúlio Vargas, nas proximidades da Feira da Prata, foi demolida e no lugar está sendo construído um supermercado de uma grande rede, certamente afim de concorrer com os feirantes e pequenos comerciantes do bairro da Prata;

Outubro: O lugar que teve um prédio demolido na Av. Floriano Peixoto, defronte a Catedral de Nossa Senhora da Conceição, está isolado até a altura da calçada, no lugar está sendo construindo um prédio que até o momento não se sabe o que será.

Essas são breves notas de modificações urbanas na cidade, tão necessárias para um melhor conhecimento do processo de construção dos novos espaços urbanos.


* Historiador, Sócio do IHGC, SPA e SBE, thomasarqueologia@gmail.com;

** ALMEIDA, Elpídio. História de Campina Grande. Campina Grande: Livraria Pedrosa, 1962.

*** Artigo publicado na Revista Tarairiú Nº 01 Set.2010. (http://mhn.uepb.edu.br/revista_tarairiu/TARAIRI%C3%9A_N01_SET2010.pdf)