iParaiba
23 de abril de 2014

Aluísio Moura

07/10/2010, às 07h20

Francisco e Clara – Assis - Itália

Ainda sinto na alma o toque de Deus me convidando a humildade, ainda choro com a sensação de alegria derramada dentro de vazio interior, é estranho, mas senti isso quando estive em Assis na Itália e vi as vestes de Giovanni di Pietro di Bernardone, mas conhecido como São Francisco, na Basílica de mesmo nome.

Deus exagerou na dose, mas isso era preciso para que pudesse tocar em corações tão duros quanto o meu, mesmo depois de tanto tempo, uma simples veste de estopa, remendada, mal cortada e com muitos furos, que serviu como roupa para um homem que foi filho de nobres, uma simples veste, e não a presença deste homem, consegue até hoje provocar o toque divino convidando a uma grande mudança.

Visitar Assis é como fazer uma viagem no tempo, nas ruas estreitas de cor de barro de terracota, podemos ver as cenas se reproduzindo em nossa frente, como a de Francisco tirando a roupa em frente à catedral e entregando para os seus pais e caminhando em busca de sua própria verdade ou de uma jovem, Clara, cortando os cabelos e começando o que seria uma nova ordem, e de uma multidão carente a conhecer o verdadeiro amor de Deus pregado pelos dois.

Imagino a força deste toque divino na vida de Francisco e dos seus, Deus, o próprio Deus falava de humildade, caridade e amor através da voz e da vida daquele jovem, seria simplesmente impossível não ouvir, não é por acaso, que muitos dos amigos de Francisco largaram o nome de seus pais e seus títulos de nobreza e se juntaram na busca de reconstruir uma igreja física e espiritual.

Mas não pense que o caminho foi fácil, a alegria de vida que Francisco perdeu depois da guerra das cruzadas encontrou nas pequenas coisas do mundo, nas flores, no canto dos pássaros, na liberdade do vento, na possibilidade de sentir calor, frio e de sobretudo ajudar o próximo.

Já não fazia sentido para ele os luxos cotidianos, a exploração do humano, as divisões das classes, o valor exagerado que as pessoas davam ao dinheiro ao ponto de se tornarem escravos da moeda e não enxergarem verdadeiramente o próximo.

Francisco havia descoberto que somos amarrados por correntes que muitos insistem em dizer que faz parte do que normal no humano, e pregava a libertação através da mensagem de Deus, na busca da humildade, do desapego e de amor ao próximo.

Mas para isso era preciso restaurar a igreja física para que a igreja espiritual pudesse surgir dela, e começou fazendo isso restaurando a igreja destruída de São Damiano e a igreja da Porciúncula, esta ultima igreja, de tão pequena que pode ser vista até hoje, dentro de uma outra igreja, a basílica de Santa Maria dell’Angeli.

Vista ali dentro, até parece uma casa de boneca medieval, comparada com a magnitude da basílica que a protege, é considerada local mais sagrado da ordem dos Franciscanos, porque foi lá que Francisco morreu 03 de outubro de 1226.

Francisco também restaurou a igreja espiritual, muitos aderiram ao movimento que ele começou, espalhando sua mensagem pelo mundo, que deu origem a ordem dos Franciscanos.

A jovem Clara seria outra peça fundamental, através dela, temos o inicio de uma nova ordem, composta por mulheres, e como só havia ordens de homens, era mais do que normal na época, a necessidade delas andarem bem cobertas e ficassem em um lugar próprio para elas. Dando origem a ordem das Clarissas.

Hoje os dois possuem igrejas em sua homenagem, uma cerca de 1,5 km de distância da outra, na igreja de Santa Clara, de fachada nas cores branco e rosa, e no interior possuindo duas divisões, a nave central e uma pequena capela lateral onde está a cruz de São Damião, a mesma que diante dela, São Francisco recebeu o chamado para reconstruir a igreja.

Descendo as escadas dentro da nave central, iremos para o túmulo de Santa Clara, onde podemos ver algumas relíquias pertencentes a ela, e o corpo dela repousando em um caixão de vidro, com uma guirlanda de flores na cabeça, segurando um crucifixo, vestida com um habito tradicional marrom e com os pés descalços. É impressionante notar, que apesar da camada de cera sobre seu rosto, pode-se ver traços de sua feição conservado naturalmente pelo tempo.

Já na igreja que homenageia São Francisco, finalizada em 1253, e que sofreu em 26 de setembro de 1997 um terremoto, danificando boa parte das pinturas, algumas delas feita por Giotto, em homenagem a São Francisco, mas que foi cuidadosamente restaurada, pouco deixando lembrar o trágico acontecimento.

A igreja, na lateral do seu terraço abriga um museu com as vestes e alguns objetos pessoais de São Francisco, é de emocionar ver como ele se vestia, e como por encanto, você consegue quase reconstruir o tempo passado e visualizar através daquelas vestes Francisco no auge de sua humildade a falar sobre amor.

No subsolo da igreja está o túmulo de São Francisco, um túmulo muito simples, de concreto escurecido pelo tempo, lá não é permitido acender velas, nem tirar fotos, é um local de oração e reflexão, onde existe um sentimento de paz profunda, de respeito e agradecimento aquele que mudou a face do cristianismo no mundo.
Fotos: http://aluisiomoura.spaces.live.com/




Arquivo

06/08/2010

O Palio de Siena

01/12/2009

Roubo da TIM, Oi e Claro

30/08/2009

Imenso Portugal III – Évora, Fátima, Sintra e seus mistérios

14/04/2009

Imenso Portugal – Parte 02

26/12/2008

Imenso Portugal – Parte 01

15/09/2008

Daqui a 25 anos

13/05/2008

Que bela Itália – Parte IV

08/04/2008

Que bela Itália III - Roma e o Vaticano

10/03/2008

Que bela Itália – Parte II

19/02/2008

Que bela Itália!

26/11/2007

Santiago capital do Chile

09/11/2007

Vendo armas de fogo

03/08/2007

Aeroportos e acidentes aéreos

18/06/2007

A Pedra do Reino

27/04/2007

Escola Pública ou Privada?